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Doenças em Carpas relacionadas com a qualidade de água

26/01/2018

 

Qualquer alteração das características fisico-químicos da água de maneira rápida será danosa para o peixe. Para verificar a qualidade de água há vários equipamentos e kits químicos para verificar temperatura, pH, amônia, oxigênio dissolvido, etc. 


Aclimatação


Aclimatações feitas de maneira apressada levarão a mortalidade dos peixes. A maneira correta de aclimatar é ir misturando aos poucos a água do lago/aquário que o peixe vai ocupar, com a água do saco em que está o peixe, fazendo isso de maneira lenta e gradual. Quando a porcentagem de água do lago/aquário for maior que a água do saco em que está a carpa será seguro liberar o peixe para o lago/aquário. Essa mistura de água vai igualar a temperatura, pH e outras componentes químicos da água.


Oxigênio


Oxigênio é um dos gases essenciais à vida dos vertebrados, incluindo aqueles que vivem na água. A água é pobre em oxigênio, e quanto mais quente ou com maior salinidade, menor é a sua concentração. Uma carpa de 1 kg consome, numa temperatura de 30°C cerca de 300 mg de oxigênio por hora, isso significa que em uma água com 3 mg/L de oxigênio, é necessário pelo menos 200 litros de água sem oxigenação externa para mantê-la durante 2 dias.

Pouco oxigênio na água será visualizado com as carpas boquejando continuamente na superfície da água, e localizando-se próximo a quedas d’água. Carpas com lesões nas brânquias tem o mesmo comportamento. As carpas são bastante resistentes para sobreviver em ambientes com baixa concentração de oxigênio (hipóxia), mas elas vão apresentar sinais de estresse crônico e aumento de doenças se tiverem que viver nesse tipo de ambiente.


Intoxicação por amônia, nitrito ou nitrato


Os peixes, como todo ser vivo, precisam de aminoácidos, lipídeos, açúcares e minerais provindos de sua dieta para produzir energia, crescer, reproduzir, ou seja, para viver. A degradação de aminoácidos para gerar energia (catabolismo) gerará amônia, que será excretada principalmente pelas brânquias (90%) e em menor quantidade pelos rins.

Para poder excretar a amônia (NH3), as brânquias precisam acidificar levemente entre os filamentos brânquiais para que essa amônia possa ser convertida em amônio (NH4+) e possa ser excretada por difusão facilitada (do meio mais concentrado para o menos concentrado). Caso o pH esteja por volta de 9, é praticamente impossível criar esse microambiente mais ácido entre os filamentos brânquiais, sendo assim, o peixe morrerá por não conseguir excretar amônia.

Caso o ambiente estiver com alta concentração dessa amônia (NH3), ele também não consegue excretá-la. Devido a isso, essa amônia é chamada de amônia tóxica.

Em água com alta concentração de amônia tóxica (NH3) os peixes não irão se alimentar, vão apresentar letargia, hiperventilação, não vão crescer, podem apresentar quadros de hiperexcitabilidade, convulsão e morte.

 

Quanto mais elevado o pH e temperatura, maior será a conversão de amônio (NH4+) em amônia tóxica (NH3), sendo assim, a mensuração da amônia total (NH4+ + NH3) tem que ser em conjunto com a mensuração da temperatura e pH.

No meio ambiente aquático, a amônia será convertido em nitrito (NO2-) por bactérias do gênero Nitrosomas spp. Nitrito é menos tóxico que a amônia tóxica, mas ainda sim, alta concentração deste pode levar a uma resposta de estresse aguda a crônica, apresentando brânquias amarronzadas. Acontece geralmente em tanques novos, pois as bactérias que degradam o nitrito (Nitrobacter ou Nitrospira) demoram mais tempo para serem ativadas. Outra causa é por alta densidade de peixes, falha dos filtros biológicos, utilização de medicamentos e/ou químicos que irão aumentar a concentração de amônia tóxica, e esta é tóxica para as bactérias que degradam a nitrito, elevando assim sua concentração. Rações com alta concentração de ácido ascórbico ajudam os peixes a sobreviver em ambeintes com alta taxa de nitrito.

O nitrito será convertido em nitrato (NO3-) por bactérias do gênero Nitrobacter ou Nitrospira. Em altas concentrações, pode gerar uma situação de estresse crônico, contudo, é um componente bem menos tóxico que a amônia tóxica ou nitrito.

 
Intoxicação por amônia/nitrito/nitrato pode levar os peixes a ter comportamentos anormais, brânquias pálidas a amarronzadas e estresse agudo/crônico, facilitando assim o surgimento de outras doenças e podendo haver mortalidade.

 

pH


Variações de pH da água muito rápidas e intensas irão matar os peixes (vide aclimatação). Carpas que vivem em faixa de pH inadequadas (diferente de 7) terão estresse crônico, sendo mais susceptíveis à doenças. Caso o pH abaixe para menos de 5 (ambiente extremamente ácido) os peixes se apresentarão hiperativos, produzindo bastante muco, aumento do movimento do opérculo e possívelmente levará a mortalidade se não for feito nenhuma atitude de corrigir o pH. Como toxicidade por amônia está relacionada com pH e temperatura, pH mais elevado aumentará a toxicidade da amônia.

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